04
nov
2025

R$ 700 MIL EM ZÉ DOCA: Quebra de sigilo telefônico autorizada por juiz pode levar ao agiota “Branco da Madeireira” 

Pelo Jornalista Domingos Costa
Polícia Federal investiga se os R$ 700 encontrado com irmã e cunhado de "Branco da Madeireira" pertencem ao agiota e se ele usa o casal como "laranjas".

Polícia Federal investiga se os R$ 700 encontrado com irmã e cunhado de “Branco da Madeireira” pertencem ao agiota e se ele usa o casal como “laranjas”.

Elinilson de Sousa Silva (camisa preta), agiota com atuação na região de Zé Doca e da Baixada Maranhense, conhecido pelo apelido de “Branco da Madeireira”, está muito próximo de ser alcançado pela Polícia Federal.

É que o juiz Ronaldo Castro Desterro e Silva, da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Maranhão, autorizou a quebra do sigilo dos dados telefônicos e telemáticos do casal Tatiele de Sousa Silva e José Isac Lobato Paiva, respectivamente irmã e cunhado do agiota “Branco da Madeireira”.

O casal residente no município de Pedro do Rosário e donos do supermercado Atacadão Bom Preço, acabou preso após sacar em uma agência de Zé Doca, no dia 24 do mês passado, o valor de R$ 700 mil em espécie, dinheiro com suspeito de lavagem, segundo a PF.

O dinheiro foi apreendido pelos agentes da Polícia Federal sob a coordenação do Delegado de Polícia Federal, Ellison Cocino Correia, da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros. Este caso foi destaque no Blog do Domingos Costa por meio de duas matérias, conforme links no final deste post.

– Detalhes da decisão federal 

A decisão do juiz Ronaldo atende ao pedido da Polícia Federal e é datada de 28 outubro de 2025. O Magistrado diz que muito embora o saque e a posse de grandes volumes de dinheiro em espécie, por si sós, não constituam, necessariamente, indícios da prática de crimes de lavagem de capitais, causa evidente estranheza a condução da quantia de R$ 700 mil em espécie, dispensando-se a utilização dos meios convencionais e seguros de transferência financeira.

A irmã e cunhado do agiota “Branco da Madeireira” alegaram que os 700 mil reais sacados eram proveniente de um empréstimo bancário, fato que não convenceu o juiz federal. “Além disso, não há comprovação efetiva nos autos de que o valor apreendido tenha sido, de fato, proveniente de financiamento bancário, uma vez que não houve a juntada de extratos ou quaisquer documentos capazes de demonstrar o efetivo repasse dos recursos. Consta apenas a cédula de crédito rural (id 2218977803, pp. 1/18), o qual, por si só, não é suficiente para atestar que o montante em espécie encontrado teve origem nos valores do crédito rural mencionado.” Completou Ronaldo Desterro.

O titular da 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Maranhão (SJMA), argumenta, ainda, que tais circunstâncias evidenciam a necessidade da quebra do sigilo telefônico e telemático como instrumento indispensável à elucidação da cadeia de operações financeiras, à identificação de eventuais coautores e ao rastreamento dos fluxos de comunicação utilizados para a movimentação dos valores.

“Diante do exposto, defiro o pedido formulado pela autoridade policial (id 2218948392, p. 98) para determinar a quebra do sigilo telefônico e telemático dos aparelhos apreendidos em poder dos investigados José Isac Lobato Paiva e Tatiele de Sousa Silva, autorizando o acesso integral aos dados armazenados nos dispositivos, inclusive aos conteúdos de aplicativos de comunicação, conforme identificação  constante dos aparelhos telefônicos apreendidos (id 2218948392, p. 23).” Determina o juiz.

– Contratos com prefeituras 

O nome de Elinilson de Sousa Silva consta no Despacho n° 4195474/2025, assinado pelo Delegado da PF, Ellison Cocino, embasado no Relatório de Inteligência Financeira n.º 134263.2.1.2214, relativo a ação do dia 24 do mês passado no qual foi apreendido o valor de R$ 700 mil na agencia bancária de Zé Doca.

Relacionado ao agiota “Branco da Madeireira” existem três empresas, duas delas possuem contratos com prefeituras: A empresa T DE S SILVA LTDA, registrada em nome da irmã, Tatiele de Sousa Silva; e também, a Construtora Edineth LTDA, registrada em nome do filho Olenilson de Sousa Silva Filho; e por último a Comercial de Madeiras Aracoiaba LTDA, ramo que Elinilson atuou por muitos anos em Zé Doca.

– Alvo do IBAMA e pré-candidatura a prefeito em Zé Doca

Ainda conforme apuração do Blog do Domingos Costa, “Branco da Madeireira” chegou a lançar o seu nome como pré-candidato a prefeito de Zé Doca visando as eleições de 2020, mas meses após acabou recuando.

No sistema da Justiça maranhense, ele responde ao processo número 0802227-13.2022.8.10.0063 na 1ª Vara de Zé Doca no qual o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) o acusa de ter em “depósito 241.727² de madeira tipo tora sem licença válida para o tempo de armazenamento, outorgado pela autoridade competente”.

Branco, também, era muito amigo do empresário Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como “Pacovan”, morto em maio de 2024 na cidade Zé Doca.

CLIQUE AQUI E CONFIRA A ÍNTEGRA DA DECISÃO –

CLIQUE AQUI E CONFIRA O PROCESSO DO IBAMA CONTRA BRANCO –


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