02
maio
2023

CPI do 8/1 vai ampliar exposição de Dino…

Pelo Jornalista Domingos Costa
ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino…

O bloco da oposição já escolheu seu principal alvo na CPI mista para investigar atos de 8/1: o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino. Senadores e deputados que antagonizam com o governo Lula pretendem colar no ex-governador do Maranhão a responsabilidade por ter supostamente facilitado a ação de vândalos bolsonaristas que invadiram as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro deste ano.

A convocação de Dino para a CPMI é dada como certa. Com isso, o ministro deve ter grande exposição midiática; caso ele se saia bem, pode ampliar o ciúme que membros do governo e da cúpula do PT alimentam desde antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Bom de oratória (além de político, é professor universitário), o ministro da Justiça é o membro do primeiro-escalão lulista que mais tem atraído holofotes desde antes da posse do atual governo, em 1º de janeiro. Anunciado para o cargo durante a transição, Dino acompanhou de perto a operação policial que frustrou a tentativa de explodir uma bomba no Aeroporto de Brasília na véspera do Natal do ano passado.

Duas semanas depois, quando ocorreram os ataques de 8 de janeiro, Dino se colocou como porta-voz do governo Lula e coordenou as primeiras respostas à crise.

Nos meses seguintes, foi convocado pela oposição para duas comissões na Câmara e levou a melhor em ambas as ocasiões. Na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ), em 28 de março, viralizou nas redes ao ironizar o deputado bolsonarista André Fernandes (PL-CE). Na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, em 11 de abril, o ministro nem sequer chegou a ser confrontado, já que a discussão mais acalorada concentrou-se entre os próprios parlamentares.

O ministro também ganhou mais protagonismo que os colegas de Esplanada em temas ligados ao governo, como a resposta à onda de ameaças de violência em escolas e creches. Foi o maranhense que tomou a principal medida; em abril, ele editou uma portaria para regular redes sociais e obrigá-las a moderar discurso de ódio em ambientes escolares. A iniciativa de Flávio Dino levou o Congresso a iniciar o debate mais relevante dessa legislatura até o momento: o do PL das Fake News.

– Ciúmes

Ninguém do governo ou do PT reclama em público, mas essa onipresença de Dino – que não pertence ao partido do presidente, mas ao PSB (o mesmo do vice, Geraldo Alckmin) – incomoda nomes importantes no entorno de Lula.

Governistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que, para além da exposição que seu ministério tem naturalmente, Dino muitas vezes extrapola seu papel e entra no campo de colegas de Esplanada. A atuação dele na crise da violência nas escolas é usada como exemplo.

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