jun
2026
O GLOBO: De aliados a rivais: racha entre Dino e governador divide PT no Maranhão
Integrantes do partido cogitam palanque duplo para Lula no estado, mas temem que divisão favoreça candidatura do PSD

Governador Carlos Brandão e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.
– Por Luis Felipe Azevedo, de O Globo
O rompimento político entre o governador Carlos Brandão (sem partido) e a ala ligada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino divide o diretório do Pt no Maranhão.
O atual ocupante do Palácio dos Leões articula para ter o sobrinho Orleans Brandão (MDB) como sucessor,enquanto parlamentares próximos a Dino trabalham pela eleição do atual vice governador Felipe Camarão (PT).
A divisão na base aliada do presidente Lula no estado preocupa petistas. O temor é o deque o cenário favoreça o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD), que é o atual líder nas pesquisas e busca não nacionalizar o debate eleitoral no estado.
Integrantes do grupo político próximo ao ministro do STF, que foi governador entre 2015 e 2022, quando teve Carlos Brandão como vice, tentaram formar uma aliança com Braide.
A prerrogativa para a composição era que o ex-prefeito pedisse voto a Lula, o que não foi acertado. Com isso, optaram pelo apoio a Camarão, que é rompido com o atual governador há dois anos.
Membros da alta cúpula petista no Maranhão afirmam, reservadamente, que a candidatura de Camarão é resultado de um cenário no qual Lula “não pode dizer não a Dino”. O magistrado é visto como “um dos poucos no STF com o qual o governo pode contar”, sobretudo no contexto atual de crise na Corte por conta do escândalo do Banco Master.
No PT do Maranhão, há defesa de que o presidente opte por um palanque duplo, apoiando tanto Camarão quanto Orleans Brandão, para assim garantir mais palanques pela reeleição ao planalto.
“Não estamos confortáveis ao ponto de dispensar apoio de governador. Essa divisão favorece o Braide” , defende um influente membro do diretório estadual do PT.
Por outro lado, o presidente nacional do PT,Edinho Silva, e Felipe Camarão negam a possibilidade de um palanque duplo de Lula no estado.
“A escolha do PT pela minha candidatura é resultado de pesquisas que mostram a rejeição do Maranhão a oligarquias. Lula não fará palanque duplo, mas também não recusará apoio. Está bem claro que o presidente só pedirá voto para mim ” afirma Camarão.
O grupo de Brandão, por sua vez, avalia que Lula estaria abdicando de um palanque consolidado para apoiar uma candidatura “gestada no STF” estando ao lado apenas de Camarão.
O entorno do governador acredita que Lula apoiará também Orleans, mesmo que informalmente. A relação de Brandão com o Ministro das Relações Institucionais,José Guimarães (PT), é entendida como uma ponte para a manutenção da proximidade entre o PT e a ala do governador.
O governador lançou a pré-candidatura do sobrinho Orleans Brandão — que atua como secretário de Assuntos Municipalista do Maranhão e é presidente estadual do MDB — em março, com jingle inspirado nas campanhas de Lula.
“Somos 100% Lula e temos uma relação política e institucional consolidada com o presidente. Orleans Brandão foi apresentado como pré-candidato ao governo do Maranhão por uma aliança de 11partidos, além do apoio de quase 200prefeitos. E é todo esse time que seguirá ao lado de Lula” afirma Carlos Brandão.
Divulgada em março, a rodada mais recente pesquisa Quaest no estado mostra Braide à frente de Orleans Brandão e de Camarão.Em cenário de primeiro turno testado comos três nomes, o político do PSD aparece com 35%, seguido pelo sobrinho do governador, com 24%. Já o petista aparece com 7%.
Braide defende que sua candidatura representa a “transformação” na política estadual. Para a campanha, o ex-prefeito planeja destacar entregas nas áreas de infraestrutura, saúde e educação.
“Ao contrário da maioria das candidaturas, que nasce dentro de um grupo político, de um gabinete, de um partido, e depois é levada às ruas, a nossa candidatura faz o caminho oposto. Ela vem das ruas, de um pedido da população do Maranhão, independente.”
Rompimento definitivo:
A ruptura entre os grupos de Brandão e de Dino foi selada no ano passado. Mas, o desgaste não é recente: o atual governador,inclusive, não foi convidado para o casamento de Dino, que reuniu políticos,como Camarão, e autoridades, incluindo os colegas da Suprema Corte Alexandre de Moraes e o ex-ministro Luís Roberto barroso, em 2024, no Maranhão.
Uma das razões da escalada do conflito envolveu o preenchimento de duas vagas no Tribunal de Contas do estado (TCE), no início de2024 e de 2025. As indicações foram travadas por ações em tramitação no STF sob relatoria de Dino. As cadeiras não foram ocupadas até o momento.
O estopim para o rompimento definitivo,como revelou a coluna do GLOBO de Malu Gaspar, foi a divulgação de três gravações de conversas de aliados do ministro do STF com um interlocutor não identificado.
Em uma delas o deputado federal Rubens Jr.(PT-MA) cobra a gestão de Brandão a cumprir acordos políticos na eleição municipal de 2024 para “liberar o TCE”.
À época, o atual governador acusou interlocutores do ex-aliado de usarem o processo no STF para “chantagem”,enquanto parlamentares próximos a Dino alegaram terem sido alvos de “garimpos” do governo do Maranhão.
O racha no estado foi criticado pelo presidente Lula, que chegou a pedir aos dois campos que tivessem “responsabilidade” e evitassem “brigar dentro de casa”.
O petista também argumentou, durante entrevista à TV Imirante, que o distanciamento poderia “dar aos adversários a chance de ganhar”.
Apesar da insistência de Lula para que Brandão disputasse uma cadeira no Senado na eleição de 2026, o governador optou, no fim do ano passado, por permanecer no Executivo estadual, posição que agravou a tensão com Camarão.


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