06
nov
2026

Do juiz Douglas Martins ao Ministro Flávio Dino, a demora na intervenção da FMF dura mais de um ano e preocupa clubes e dirigentes

Demora na intervenção da FMF preocupa clubes, dirigentes e sociedade civil e Promotora Doracy Moreira lamentou a lentidão na resolução do caso. “Nós já estamos aí há mais de um ano repetindo aquilo que nós condenamos”,

Processo que começou na Vara de Interesses Difusos foi parar no Supremo Tribunal Federal, relatado, pasmem, pelo ministro Flávio Dino, ex-governador do Maranhão.
Processo que começou na Vara de Interesses Difusos foi parar no Supremo Tribunal Federal, relatado, pasmem, pelo ministro Flávio Dino, ex-governador do Maranhão.

PORTAL IMIRANTE – A intervenção na FMF já dura mais de um ano e ainda não tem uma definição sobre o futuro da Federação Maranhense de Futebol. Após sucessivas decisões judiciais, reuniões e duas audiências de conciliação sem acordo, uma nova audiência está marcada para o dia 13 de novembro. Enquanto isso, clubes, dirigentes e representantes da sociedade civil demonstram preocupação com a demora para uma solução definitiva.

A próxima audiência de conciliação está marcada para o dia 13 de novembro e será mais uma tentativa de encontrar uma solução para o impasse. Até o momento, duas audiências já foram realizadas, mas não houve consenso entre as partes envolvidas no processo.

A promotora Doracy Moreira, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social e integrante do Ministério Público do Maranhão, lamentou a demora na resolução do caso.  “Nós já estamos aí há mais de um ano repetindo aquilo que nós condenamos”, afirmou Doracy.

Segundo a promotora, a situação também provoca impactos diretos no futebol maranhense e dificulta o desenvolvimento dos clubes.

“Isso tudo impacta o nosso futebol, que está aí. Os clubes não conseguem crescer. Nós pedimos reiteradamente, agora recentemente, que houvesse a quebra do sigilo bancário e fiscal dos ex-dirigentes da Federação”, destacou.

– Especialista aponta insegurança jurídica

A indefinição provocada pela intervenção na FMF também é vista com preocupação por representantes do futebol maranhense.

Presidente do Instituto Maranhense de Direito Desportivo e advogado do IAPE, atual campeão maranhense, Eduardo Duailibe afirmou que a demora provoca insegurança jurídica para clubes e dirigentes.

“Até agora não se tem uma definição e isso causa uma insegurança jurídica”, declarou.

O advogado também alertou para possíveis consequências esportivas caso a situação da FMF gere algum tipo de sanção por parte das entidades que organizam o futebol nacional e internacional.

“Ela [a CBF] poderia sancionar, tirando os nossos participantes dos campeonatos nacionais e regionais, tipo Copa do Brasil, do Campeonato Brasileiro, Copa do Nordeste e outras situações”, explicou Duailibe.

A preocupação está relacionada principalmente à possibilidade de a intervenção judicial ser interpretada como interferência externa na administração de uma entidade esportiva.

– Começo da Intervenção 

A intervenção foi determinada pela Justiça em 4 de agosto de 2025, após um pedido do Ministério Público do Maranhão (MP-MA), que apontou suspeitas de irregularidades na administração da entidade. O então presidente Antônio Américo foi afastado do cargo e Susan Lucena foi nomeada interventora.

O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde é relatado pelo ministro maranhense Flávio Dino. Em decisão liminar, o ministro apontou possíveis consequências internacionais decorrentes da manutenção da intervenção judicial na entidade responsável pelo futebol estadual.

Agora, além da audiência marcada para novembro, outro fator aumenta a pressão por uma definição: o mandato de Antônio Américo termina em dezembro de 2026.

– Caso chegou ao Supremo Tribunal Federal

A disputa envolvendo a intervenção na FMF ganhou uma dimensão ainda maior depois de chegar ao Supremo Tribunal Federal.

O processo passou a ser relatado pelo ministro Flávio Dino, que analisou os possíveis efeitos da manutenção da medida judicial sobre a Federação.

Em decisão liminar, Dino registrou preocupação com possíveis consequências internacionais. A CBF, que participa do processo, alertou para o risco de sanções da FIFA e da Conmebol caso fosse caracterizada uma interferência do Poder Judiciário na administração da entidade estadual.

Apesar das decisões e das tentativas de conciliação, o processo ainda aguarda uma definição definitiva.

– Juiz admite possibilidade de sentença

Responsável pela decisão que determinou a intervenção, o juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, também se manifestou sobre o futuro do processo.

Durante a audiência, o magistrado afirmou que, caso não haja consenso entre as partes, poderá avançar para a etapa de julgamento.

“Esta audiência, por sinal, se por uma má vontade, ou por qualquer outro motivo, não houver um consenso, eu vou sanear o processo. Se o processo for para as alegações, eu posso, finalmente, sentenciar o processo”, explicou Douglas Martins.

A declaração aumenta a expectativa para a audiência marcada para novembro, que poderá representar uma nova tentativa de encerrar o impasse ou abrir caminho para uma decisão judicial.

– Mandato de Antônio Américo termina em dezembro

A situação se torna ainda mais complexa porque o mandato do presidente afastado da FMF, Antônio Américo, termina em dezembro de 2026.

Com isso, a intervenção na FMF se aproxima de um momento decisivo. Caso a situação não seja solucionada, será necessário definir como ocorrerá o processo eleitoral da entidade e quem terá legitimidade para conduzir a Federação.

A promotora Doracy Moreira também demonstrou preocupação com a possibilidade de a interventora permanecer no cargo por tempo indeterminado.

“A nossa preocupação existe no caso de a interventora se perpetuar”, afirmou.

Segundo Douglas Martins, a decisão judicial já prevê mecanismos para impedir que Susan Lucena permaneça indefinidamente à frente da entidade.

Procurada pela reportagem da TV Mirante, Susan Lucena informou que prefere não comentar a possibilidade de permanecer no cargo.

– Como começou a intervenção na FMF

A intervenção na FMF foi determinada em 4 de agosto de 2025 pelo juiz Douglas de Melo Martins, após pedido de tutela de urgência apresentado pelo Ministério Público do Maranhão.

A decisão determinou: o afastamento da diretoria da Federação Maranhense de Futebol; o afastamento de Antônio Américo da presidência; a retirada do Instituto Maranhense de Futebol (IMF) da administração da entidade; a nomeação de Susan Lucena como interventora.

Inicialmente, a medida teria duração de até 90 dias e tinha como objetivo reorganizar a estrutura administrativa da Federação.

Poucos dias depois de assumir o comando, a interventora apresentou à Justiça um relatório preliminar sobre a situação encontrada na entidade.

– Relatórios apontaram problemas financeiros

Os documentos apresentados pela junta interventora apontaram uma série de problemas financeiros e administrativos na FMF.

Entre os pontos registrados no primeiro relatório estavam: saques de aproximadamente R$ 88 mil em seis dias; transferências financeiras entre a FMF e o IMF; contas bancárias com saldo negativo; passivo condominial superior a R$ 20 mil; débitos relacionados ao seguro obrigatório para a realização de partidas.

Um segundo relatório ampliou o diagnóstico apresentado à Justiça. Segundo a junta interventora, foram identificadas ainda: transferências de recursos da FMF para familiares do então presidente Antônio Américo; dívidas superiores a R$ 2 milhões com a União e o FGTS; pendências junto à Receita Federal; débitos com a Fazenda Nacional; dívidas relacionadas a IPTU e condomínio.

As informações fazem parte do processo judicial que discute a administração da entidade e a necessidade de reorganização da Federação.

– O que está em jogo para o futebol maranhense

A demora na resolução da intervenção na FMF ultrapassa a disputa entre os grupos envolvidos no processo e alcança diretamente os clubes e competições do futebol maranhense.

Entre os principais pontos de preocupação estão: definição da administração definitiva da FMF; realização de novas eleições; segurança jurídica para clubes e ligas; manutenção da participação de equipes maranhenses em competições nacionais; relação da Federação com CBF, FIFA e Conmebol.

Para Eduardo Duailibe, a indefinição pode afetar diretamente os clubes que dependem da regularidade institucional da Federação para participar de competições.

– Qual será o futuro da FMF?

Mais de um ano após o início da intervenção na FMF, o futebol maranhense continua sem uma solução definitiva para a crise administrativa.

A audiência de 13 de novembro será mais uma oportunidade para tentar chegar a um acordo entre as partes. Caso isso não aconteça, o processo poderá avançar para uma decisão judicial, conforme antecipado pelo juiz Douglas Martins.

Ao mesmo tempo, o fim do mandato de Antônio Américo, previsto para dezembro de 2026, coloca ainda mais pressão sobre a Justiça e os envolvidos no processo.

O principal desafio será definir como a Federação voltará a ter uma administração permanente, estabelecer as regras para uma nova eleição e encerrar o período de tutela judicial iniciado em agosto de 2025.

– Linha do tempo da intervenção na FMF

4 de agosto de 2025: Justiça determina o afastamento da diretoria da FMF e do IMF.

Agosto de 2025: Susan Lucena é nomeada interventora.

Após a intervenção: primeiro relatório aponta problemas financeiros e administrativos.

Posteriormente: segundo relatório amplia o diagnóstico sobre as contas da entidade.

2025 e 2026: são realizadas reuniões e tentativas de conciliação.

2026: caso chega ao STF e passa a ser relatado pelo ministro Flávio Dino.

13 de novembro de 2026: nova audiência de conciliação está marcada.

Dezembro de 2026: termina o mandato de Antônio Américo, enquanto a intervenção permanece sem solução definitiva.

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