27
mar
2026

Dino “puxa” para o STF e vira relator do caso Gilbson Cutrim, que assassinou um funcionário do governo dinista

Pelo Jornalista Domingos Costa

Gilbson César Soares Cutrim Júnior, criminoso de alta periculosidade, assassinou a luz do dia, João Bosco Sobrinho Pereira, nomeado no dia 30 de novembro de 2021 no cargo de Auxiliar Técnico II, Simbolo DAI-5, pelo secretário Felipe Camarão, período que Flávio Dino era governador do Maranhão.

Camarão nomeou João Bosco Sobrinho Pereira na Seduc em novembro de 2021 no cargo de Auxiliar Técnico II, Simbolo DAI-5.

Camarão nomeou João Bosco Sobrinho Pereira na Seduc em novembro de 2021 no cargo de Auxiliar Técnico II, Simbolo DAI-5.

Uma reportagem assinada pelo jornalista Vinícius Valfré , do Estadão, diz que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tirou do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e assumiu ele mesmo a relatoria de um inquérito sobre um assassinato ocorrido em São Luís (MA), em 2022, que cita familiares do governador Carlos Brandão (PSB). A investigação apura também uma suposta pressão do senador Weverton Rocha (PDT-MA) para travar o caso no STJ.

Como novo relator da investigação, Dino já determinou o bloqueio de uma apuração da Polícia Civil do Maranhão que mirava denúncias feitas pela mulher do assassino contra aliados do governo. Segundo o ministro, havia “perigo de interferência” na investigação federal.

Procurado, o governo do Maranhão afirmou que chama a atenção o fato de o próprio ministro ter avocado para si a relatoria de “mais um processo que, novamente, envolve narrativas direcionadas contra o governador Carlos Brandão” e que “causa estranheza a tentativa de conectar temas de naturezas completamente distintas”.

Weverton Rocha disse que “causa profunda estranheza que notícia sem fonte e sem base em fatos” seja usada para tentar ligá-lo a eventos com os quais não tem conexão. “Medidas protelatórias, com interesses inexplicáveis, somente estão a serviço de retardar o trabalho da Justiça e beneficiar o acusado em questão”, disse.

Dino foi procurado, por meio da equipe, e não se manifestou.

O novo inquérito, conduzido pela Polícia Federal desde maio do ano passado, foi aberto depois da investigação estadual que resultou na condenação do assassino a 13 anos de prisão. O inquérito federal investiga se o assassinato tem relação com uma suposta cobrança de propina.

Flávio Dino puxou para si o caso que estava no STJ depois de ser sorteado, em outubro, relator de um habeas corpus apresentado pelo assassino condenado Gilbson Cesar Soares Cutrim Junior. Ao analisar o recurso, o ministro entendeu que a investigação tem relação com processos que já tramitam sob a supervisão dele.

A defesa do assassino alegava que havia transcorrido prazo para livramento condicional, mas o então relator, ministro Humberto Martins, do STJ, deixou de apreciar pedidos.

No recurso ao STF, a defesa também disse que Humberto Martins foi “desidioso” (negligente) em um caso que carrega elementos que indicam a participação de agentes políticos do Maranhão no crime.

Ao decidir que o caso deveria tramitar com ele, em 23 de novembro, o ministro Flávio Dino afirmou ter identificado, “em uma primeira análise”, uma marcha processual com “diversas anomalias”, “confusão processual”, “procedimentos desordenados” e uma “balbúrdia” que deixou requerimentos pendentes de deliberação.

Procurado pela reportagem, o gabinete do ministro Humberto Martins afirmou que todas as informações solicitadas no habeas corpus foram esclarecidas e enviadas ao novo relator, Flávio Dino.

Brandão foi vice de Dino quando o hoje ministro do STF governou o Maranhão por dois mandatos. O então governador deixou o Palácio dos Leões, em abril de 2022, para concorrer ao Senado. Brandão assumiu a cadeira e venceu as eleições, em outubro. Depois, eles foram se afastando até o rompimento. Hoje, os aliados de Dino são rivais do grupo de Brandão na política local.

Como novo responsável pelo caso, Flávio Dino deu uma decisão liminar, em 22 de fevereiro deste ano, para suspender uma outra investigação aberta na Polícia Civil do Maranhão contra a mulher de Gilbson Junior.

O que diz o governador

Em nota, o governo do Maranhão e o governador Carlos Brandão disse que “causa estranheza” a abordagem da reportagem porque eles ainda nem possuem a informação oficial sobre a mudança de tribunal.

Também destacou que o homicídio ocorreu em local público e o autor é confessou.

“Ele reiterou a mesma versão em mais de dez depoimentos formais, inclusive em gravação realizada em ambiente familiar”, disse.

A nota também pontuou que Dino está mais uma vez assumindo a relatoria de um caso que “envolve narrativas direcionadas contra o governador Carlos Brandão”.

O governo disse ainda que a origem do caso remonta a decisões administrativas tomadas à época pelo então secretário de Educação do governo Flávio Dino, Felipe Camarão “porque foi ele quem reconheceu e reativou uma cobrança que estava paralisada desde 2014, o que levou ao processamento do pagamento posteriormente disputado pelos envolvidos”.

Hoje vice-governador rompido com Brandão, Camarão afirma que o empenho e o pagamento do recurso para a empresa não foram realizados no período em que ele comandou a secretaria. Ele foi substituído quatro meses antes.

O governo criticou a suspensão das indicações ao TCE-MA por alegar que os ritos seguidos foram os mesmos adotados por Flávio Dino quando ele era governador e que o impasse mantém duas vagas desocupadas há quase dois anos.

Para o Palácio dos Leões, “causa estranheza” a decisão de Flávio Dino de conectar “temas de naturezas completamente distintas” e avocar a relatoria do caso para ele.

– Vítima era funcionário do governo Flávio Dino

João Bosco Sobrinho Pereira era funcionário da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) na gestão de Felipe Camarão, sob o governo Flávio Dino.  Ele foi morto por disparo de arma de fogo feito a queima-roupa por Gilbson César Soares Cutrim Júnior, no dia 19 de agosto de 2022, na frente do edifício Tech Office, na Avenida dos Holandeses, bairro Ponta D’Areia, em São Luís.

O “cobrador de dívidas” João Bosco foi nomeado no dia 30 de novembro de 2021 no cargo de Auxiliar Técnico II, Simbolo DAI-5, período que Flávio Dino era governador do Maranhão. Curiosamente, nove meses depois de se tornar funcionário de Camarão, Bosco foi brutalmente assassinado.

Em dezembro de 2024, a Justiça do Maranhão condenou Gilbson César Soares Cutrim Júnior a 13 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, em regime fechado, pela morte de João Bosco.

Hoje, os adversários do governador Carlos Brandão tentam desesperadamente fazer do assassinato de João Bosco um “escândalo político” para afetar as eleições de 2026, só estão “esquecendo” que as digitais do então secretário de Educação, Felipe Camarão, do PT, estão por todos os lados nesse caso.


LEIA TAMBÉM:

– Assassinado no Tech Office por Gilbson Júnior, João Bosco era funcionário de Camarão na SEDUC no governo Dino

– VÍDEO: Marcus Brandão conta um pouco da história envolvendo Gilbson Júnior e João Bosco

1 Comentário

    Deixe o seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do autor deste blog.

    • Você também pode comentar usando o Facebook!