09
set
2026

Imperatriz: Investigação mira pagamentos e compras de camas hospitalares na gestão Rildo Amaral

Inquérito Civil apura irregularidades em pagamentos, notas fiscais e aquisição de camas hospitalares para o município

Rildo Amaral, prefeito de Imperatriz, na trend dos anos 80 publicada em suas redes sociais.
Rildo Amaral, prefeito de Imperatriz, na trend dos anos 80 publicada em suas redes sociais.

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) instaurou Inquérito Civil Público para apurar possível desvio de recursos públicos no município de Imperatriz. A investigação teve origem em uma representação encaminhada pelo Juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública de Imperatriz, que comunicou ao Ministério Público a existência de possíveis irregularidades e abusos em pagamentos realizados no processo judicial nº 0807280-10.2023.8.10.0040, conhecido como “Gabinete de Crise”.

A apuração está formalizada na Portaria nº 10/2026 – 6ªPJESPITZ, assinada digitalmente pelo promotor de Justiça Eduardo André de Aguiar Lopes, conforme consta no Diário Eletrônico do Ministério Público do Maranhão.

O documento foi disponibilizado em 4 de setembro de 2026 e publicado em 9 de setembro de 2026, na edição nº 173/2026, ISSN 2764-8060. No cabeçalho do ato consta ainda que Lindomar Luiz Della Libera, Promotor de Justiça, respondendo, assinou eletronicamente em 2 de setembro de 2026, às 8h48.

De acordo com a portaria, diligências realizadas pelo Ministério Público identificaram que teria ocorrido uma tentativa de pagamento, por duas vezes, da mesma nota fiscal apresentada no processo judicial.

Além disso, a investigação aponta uma possível omissão na entrega de bens descritos nas notas fiscais.

Outro ponto que chamou a atenção do Ministério Público foi a situação dos bens adquiridos pelo município. Segundo a portaria, foram identificados equipamentos que não foram devidamente tombados, além da existência de outros equipamentos com características semelhantes recebidos no Hospital Municipal de Imperatriz (HMI) sem a devida identificação.

Para o Ministério Público, essa situação dificulta o controle e a confirmação dos bens adquiridos por meio de compras diretas.

Entre as providências determinadas está a cobrança de esclarecimentos à Secretaria Municipal de Saúde sobre a ausência de tombamento de camas adquiridas pelo Município de Imperatriz/HMI nos anos de 2025 e 2026.

O secretário municipal de Saúde deverá apresentar, no prazo de 10 dias, informações sobre a ausência de tombamento e encaminhar cópias de contratos, termos de doação e notas fiscais relacionados à aquisição de camas tipo Fawler pelo município, Fundo Municipal de Saúde ou Hospital Municipal de Imperatriz – Socorrão.

O Ministério Público também determinou que a Secretaria de Estado da Fazenda encaminhe informações fiscais referentes à aquisição desses equipamentos no período de 2025 e 2026.

A portaria registra que as condutas investigadas podem configurar, em tese, atos de improbidade administrativa, previstos no artigo 10, incisos I e VIII, da Lei de Improbidade Administrativa, sem prejuízo de outras irregularidades que eventualmente sejam identificadas durante a investigação.

O Ministério Público determinou ainda o encaminhamento de cópia integral do procedimento ao Procurador-Geral do Município de Imperatriz, para ciência.

A abertura do Inquérito Civil permitirá ao MPMA aprofundar a análise dos pagamentos, documentos fiscais, aquisição e entrega dos equipamentos, além de verificar a correta identificação e incorporação dos bens ao patrimônio público.

A investigação ainda está em curso e deverá reunir documentos e informações dos órgãos envolvidos antes de qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade administrativa, civil ou por dano ao erário.

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