12
maio
2021

Indicado pelo senador Roberto Rocha, diretor da Codevasf é citado no esquema da “verba extra”

Pelo Jornalista Domingos Costa
Em julho de 2020, Senador Roberto Rocha emplacou Rosendo Júnior na diretoria da Codevasf em Brasília;

No final de julho de 2020, Senador Roberto Rocha emplacou Rosendo Júnior na diretoria da Codevasf em Brasília; a filha Amanda Rocha, estava acompanhando o pai.

Natural de Codó, mesma terra da esposa do senador Roberto Rocha, Antônio Rosendo Neto Júnior é citado pelo site O Antagonista como integrante da “Lista do Bolsolão”, também chamado de esquema da “verba extra” ou de “orçamento paralelo” ou “secreto”.

Indicado por Roberto Rocha, Rosendo Júnior assumiu o cargo na Diretoria da Área de Desenvolvimento e Infraestrutura da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba – Codevasf, no final de junho de 2020.

Em anos anteriores ele já tinha sido indicado para vários cargos públicos como secretário-adjunto na Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão e diretor de Negócios do Banco do Nordeste também por escolha do senador maranhense.

É, portanto, uma espécie de “faz tudo” de Roberto Rocha!

– R$ 3 bilhões para a Codevasf 

Em reportagem especial na semana passada, o jornal Estadão rastreou o uso dos R$ 3 bilhões em emendas extras liberadas pelo governo federal para comprar apoio do Congresso nas eleições de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco.

O dinheiro saiu do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), órgão que controla a Codevasf e foi destinado à aquisição de tratores e equipamentos agrícolas.

Oficialmente, cada parlamentar tem direito a indicar, por ano, R$ 15 milhões do orçamento. Além dessas emendas, chamadas de individuais, há as emendas de bancadas, que também estão em conformidade com as normas vigentes. Verba extra, explorada como moeda de troca, é dinheiro a mais que o parlamentar consegue nas coxias da Esplanada, em negociações com o Planalto e os ministérios.

Esses recursos extras são, de maneira proposital, praticamente impossíveis de serem rastreados, porque não aparecem em nenhum dos sistemas existentes para acompanhamento orçamentário. Não há critérios definidos para a liberação desse dinheiro nem qualquer transparência sobre a lista de beneficiários.

Bolsolão

esquema de Jair Bolsonaro para abastecer o Centrão, apelidado de Bolsolão, é garantido pelo toma lá dá cá nas estatais. O Estadão deu a lista dos apadrinhados da Codevasf, que repassou 3 bilhões de reais para os bolsonaristas.

O diretor-presidente da Codevasf é o engenheiro baiano Marcelo Moreira, ex-funcionário da Odebrecht, indicado em 2019 pelo deputado Elmar Nascimento, com respaldo do então ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, hoje chefe da Casa Civil.

Um especialista em orçamento, com mais de 20 anos de experiência na Esplanada e hoje funcionário de um gabinete no Senado — e, por isso, pediu reserva –, já resumiu assim a O Antagonista, de maneira bem didática, o esquema agora chamado de Bolsolão:

“Verba extra é ‘fio do bigode’. Isso não é de agora, sempre existiu. Mas há, sim, um volume muito maior sendo liberado neste governo. Emendas individuais e de bancadas têm marcadores no orçamento: você consegue rastrear no momento do pedido e da liberação dos recursos. Verba extra é diferente, porque ela não está prevista em lei alguma. O parlamentar chega para um ministro e diz: ‘Olha, minhas emendas acabaram e eu preciso de mais’. Pode ou não ter uma contrapartida. Quando o ministério não tem mais orçamento disponível, pode-se abrir esse espaço por meio de créditos suplementares, aprovados pelo Congresso. É claro que o assessor do ministro tem essa tabela de Excel, com tudo isso detalhado. Mas é carta na manga, essas informações não são encontradas em nenhum sistema corporativo”.


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– Entenda em 10 pontos o Bolsolão, que O Antagonista noticia desde 2020

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