30
set
2026

Irmão do Advogado Daniel Leite arrolado a Vorcaro e o ministro Toffoli em um fundo de R$ 35 milhões no paraíso fiscal do Caribe

Toffoli ao lado de seu amigo, o empresário AlbertoLeite, também citado na investigação
Toffoli ao lado de seu amigo, o empresário Alberto Leite, também citado na investigação.

O empresário maranhense Alberto Leite, de 49 anos, dono da empresa de segurança cibernética e tecnologia da informação FS Security, está no centro de uma polêmica envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli  e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Alberto Leite é irmão do advogado maranhense advogado Daniel Leite, outro enrolado nas fraudes do banco Master que envolvem compras de ações do BRB, conforme os links de posts no final desta matéria.

Uma reportagem do revista piauí, produzida pelo jornalista Breno Pires, revela que o irmão de Daniel Leite aparece em três frentes do relatório da Polícia Federal que ajudam a elucidar suas relações com Vorcaro e com o ministro Toffoli.

A reportagem diz que aá sete meses, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tem em mãos um relatório da Polícia Federal que apresenta suspeitas gravíssimas sobre a relação do ministro Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em um trecho, o relatório, ao qual a piauí teve acesso, levanta a suspeita de que Toffoli seja “o beneficiário final” ou o “proprietário de fato” do Arleen, um fundo de investimento que recebeu 35 milhões de reais de Vorcaro. Por meio de uma transação com uma holding, a Egide I, os recursos foram parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe.

O fundo Arleen era sócio do Tayayá, o resort que pertence a Toffoli e sua família em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. A certa altura, segundo o relatório da PF, o Arleen, que pertencia ao banqueiro, mudou de proprietário, passando para as mãos de um empresário amigo de Toffoli. Em seguida, o fundo fez uma alteração em seu regulamento para permitir que fizesse investimentos no exterior e, meses depois, transferiu todos os seus ativos para o Egide I, registrado no paraíso fiscal caribenho.

Diz o relatório, depois de informar que Vorcaro aportou “ao menos” 35 milhões de reais no fundo Arleen: “Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos.” Em outro trecho, o relatório afirma: “Documentos e comunicação […] sugerem uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, incluindo movimentações envolvendo a Edige I Holding nas Ilhas Virgens Britânicas.”

Toda a operação para enviar recursos ao exterior, relatada pela PF, deu-se ao longo de 2025. Em fevereiro, o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli e dono da empresa de segurança FS Security, comprou o fundo Arleen. No mês seguinte, registrou a holding Egide I nas Ilhas Virgens Britânicas e, no mesmo mês, alterou o regulamento do Arleen para autorizar investimentos no exterior. Em novembro, o Arleen começou a se desfazer de suas cotas e, em dezembro, transferiu cerca de 34 milhões de reais para a Egide lá fora. “Deste modo”, afirma o relatório da PF, “pode-se afirmar que todo o ativo do Arleen […] é transferido para a Egide I Holding na liquidação do fundo”.

Em 5 de novembro de 2025, logo depois de celebrar a vitória no caso da usina Alcídia, Vorcaro começou a discutir sua saída do Tayayá – e, portanto, sua desvinculação do fundo Arleen. Naquele mês, escreveu ao seu cunhado Fabiano Zettel que “aquele FIP Tayayá [refere-se ao Arleen] tem que passar pra um amigo que vai comprar”. Não deu a identidade do amigo. Logo em seguida, perguntou: “Posso pedir te procurar?” e, só então, deu o nome incompleto: “Alberto.” Era Alberto Leite, dono da FS Security e amigo de Toffoli. Leite aparece em três frentes do relatório, que ajudam a elucidar suas relações com Vorcaro e com o ministro do Supremo.

A primeira é que, em um plano de negócios de abril de 2024 encontrado no celular do banqueiro, o próprio Vorcaro, Fábio Faria e Alberto Leite aparecem como diretores da Skylink, empresa criada para representar a Starlink, de Elon Musk, no Brasil. (Na reportagem Fábio Faria, “o cara de Vorcaro”, publicada pela piauí, Faria negou que Vorcaro fosse sócio do empreendimento. Se a afirmação da PF procede, trata-se de mais um negócio em que Faria e Vorcaro foram sócios.)

A segunda é que a principal empresa de Alberto Leite, a FS Security, figurou entre as patrocinadoras do fórum jurídico que o Banco Master bancou em Londres, até que Vorcaro mandasse tirar o nome da lista: “Tiraria FS tb.” A terceira é que, em junho de 2024, Leite custeou um camarote na final da Liga dos Campeões, também em Londres, onde recebeu o ministro Dias Toffoli. Uma selfie tirada por Leite com o ministro virou notícia. Vorcaro não estava na cena, mas reclamou com seu articulador. “Não pode expor os caras assim pqp”, escreveu. Fábio Faria respondeu com uma frase que pressupõe hábito: “Agora Alberto não vai poder mais viajar com o Toffoli.” Dois meses antes, em abril, Faria já avisara ao banqueiro que ia almoçar com Toffoli e com Leite: “Tô indo c ele e o Alberto.” Sobre esse conjunto, a Polícia Federal conclui que há “vínculo relacional” entre Alberto Leite e o ministro do Supremo.

Ao apontar ao seu cunhado que o destinatário do Arleen era Alberto Leite, Vorcaro procurou se certificar de que o fundo Arleen tinha dinheiro em caixa. “Tem os 15M que vc colocou. Se ninguém gastou…”, informou-lhe Zettel. O banqueiro insistiu: “Onde tá a grana?”. Resposta: “REAG”, uma referência à gestora de fundos do Master. E então veio a pergunta que a Polícia Federal grifa no relatório, feita por Vorcaro, que era o próprio dono do fundo: “Como chama o FIP?”. Zettel responde: “FIP Arleen.” Naquele mesmo 5 de novembro, Vorcaro escreveu ao empresário Alberto Leite: “Estou pronto pra executar aquele deal que falamos”. Leite respondeu: “Beleza”, disse que estava na Espanha e acrescentou: “Vou pedir pro meu pessoal dar um gás com o teu.”

Sete semanas depois, no dia 27 de dezembro, o banqueiro pediu o papel. “Preciso fazer contrato de venda do fundo Tayayá”, escreveu ao cunhado, referindo-se, mais uma vez, ao Arleen. Zettel perguntou: “Vender pra quem?”. Vorcaro não respondeu à pergunta. Mandou fazer a minuta, estabeleceu o prazo, “pra pagarem até 180 dias”, e deu a instrução que a define: “Sem nome.”

Vorcaro voltou ao assunto em 12 de janeiro, dizendo “Preciso resolver o FIP”. Seu cunhado perguntou: “Tayayá?”. O banqueiro respondeu positivamente e encaminhou então um cartão de contato com o nome de Alberto Leite e escreveu: “Tenho que transferir pra ele.” O banqueiro, então, quis saber quanto valia. “Preciso saber valor PL do fundo.” Zettel respondeu: “Vai transferir o FIP inteiro, né?” Sim, a ideia de Vorcaro era transferir o Arleen integralmente para Alberto Leite.

No dia seguinte, Zettel reproduziu para Vorcaro a abordagem que fizera ao comprador do Arleen: “Boa tarde, amigo! Tudo bem? Estou chamando a pedido do Daniel Vorcaro. Queria organizar a questão da transferência do FIP Arleen, dono do Tayayá”. Leite simplesmente não respondeu. Vorcaro, ao ser informado da abordagem e do silêncio, reclamou: “Aí o cara não responde nem daqui 1 século”, deixando claro que o negócio não podia ser tratado às claras nem com os interlocutores diretos. O desfecho deu-se em 19 de fevereiro de 2025, segundo Zettel: “Alberto Leite concluído! Tá todo feliz”. Meses depois, Leite vendeu sua participação no Tayayá para a PHD Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, ligado ao grupo J&F.

Procurado pela piauí, Alberto Leite disse que não daria entrevista, mas afirmou que nunca foi sócio do ministro Dias Toffoli nem do banqueiro Daniel Vorcaro. Ao jornal Folha de S.Paulo, ele havia declarado que a compra do Arleen foi uma operação imobiliária regular e lucrativa, promovida por seu braço de investimentos, e negou qualquer vínculo societário, comercial ou de favorecimento com o ministro Toffoli.

CLIQUE AQUI e tenha acesso a reportagem completa envolvendo o irmão do advogado maranhense Daniel Leite.


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