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2026
Júnior Medeiros e Alex Maylon são presos em São Luís por fraude digital no PIX que movimentou R$ R$ 322 milhões
Grupo explora falha no Pix e movimenta R$ 150 milhões, afirma CyberGaeco do Ministério Público do Rio de Janeiro. Mas a operação investiga um esquema de fraudes contra fintechs com prejuízo estimado em R$ 322 milhões. A Denúncia aponta que organização duplicava transferências e lavou recursos por meio de empresas de fachada e criptoativos.

Celis de Castro Medeiros Junior e Alex Maylon Passinho são apontados como integrantes do núcleo maranhense responsável pela lavagem de capitais da organização com sede do Rio de Janeiro.
Em segundos, o mesmo valor saía duas vezes da conta — mesmo sem existir. A exploração de uma falha no processamento simultâneo de operações via Pix permitiu que uma organização criminosa duplicasse transferências e movimentasse mais de R$ 150 milhões em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. A investigação é do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos (CyberGaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que realiza a Operação Pecúnia Obscura, na manhã desta quarta-feira, em conjunto com a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-CAP), da Polícia Civil, para prender quatro acusados. Três deles já foram capturados.
A operação investiga um esquema de fraudes contra fintechs com prejuízo estimado em R$ 322 milhões. Em Búzios, na Região dos Lagos, agentes apreenderam quatro motos aquáticas, um quadriciclo, uma lancha e dinheiro. No município, foi preso Yago de Araújo Silva, apontado como chefe da quadrilha. Equipes estiveram também numa casa de alto padrão no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio, que, segundo eles, pertence a Saulo Zanibone de Paiva, apontado como braço operacional do esquema, que é considerado foragido.
Em São Luís, os outros dois alvos da operação que já foram presos são Celis de Castro Medeiros Junior e Alex Maylon Passinho, integrantes do núcleo maranhense responsável pela lavagem de capitais da organização. Durante as buscas, foi apreendido dinheiro vivo. Outro suspeito, Saulo Zanibone de Paiva, segue foragido.
A investigação teve início após a empresa Dock Soluções em Meios de Pagamentos identificar uma vulnerabilidade que permitia ao cliente solicitar, ao mesmo tempo, a devolução de um Pix recebido e o envio de outro Pix de igual valor para terceiro. O sistema não reconhecia que havia saldo suficiente para apenas uma das operações e acabava autorizando as duas. Apenas nesse episódio, foram registradas 166 transações fraudulentas, que geraram prejuízo superior a R$ 826 mil, de acordo com a denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ.
– Como funcionava o esquema
O que parecia um golpe pontual revelou-se, segundo o Gaeco, a ponta de uma engrenagem muito maior. A denúncia descreve uma organização criminosa estável, com divisão clara de tarefas, uso sistemático de documentos falsos, criação de identidades fictícias e abertura em série de contas digitais para ampliar o alcance das fraudes.
A investigação teve início a partir de um inquérito da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) para apurar crimes de estelionato mediante fraude cibernética e falsificação de documentos. De acordo com a denúncia do MPRJ, uma das formas de execução da fraude era a abertura de contas e movimentação de recursos por “clientes”, criados pela organização criminosa a partir de documentos falsos. A análise técnica indicou reutilização de fotografias em diferentes documentos, o que, para os investigadores, evidenciaria a fabricação coordenada de identidades digitais.
Com o avanço das quebras de sigilo bancário e dos relatórios de inteligência financeira — enviados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) —, o CyberGaeco conseguiu identificar movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados. Apenas dois dos principais denunciados teriam movimentado juntos mais de R$ 60 milhões. No total, segundo a promotoria, as operações atribuídas ao grupo superam R$ 150 milhões entre 2021 e 2024.
Segundo a denúncia, para ocultar a origem dos valores, os criminosos criaram um esquema complexo de lavagem de dinheiro. Empresas de fachada nos ramos de locação de veículos, hospedagem e eventos teriam sido usadas para mesclar recursos lícitos e ilícitos. Depósitos fragmentados em espécie, simulações de compra e venda de veículos e imóveis — inclusive de bens inexistentes — e sucessivas transferências entre parentes e pessoas próximas faziam parte da estratégia de ocultação.
Os investigadores do Gaeco também apontam o uso de criptoativos como etapa relevante para a lavagem de dinheiro. Parte dos valores teria sido convertida em moedas virtuais por meio de plataformas nacionais e internacionais, mecanismo que, segundo a denúncia, dificultava o rastreamento e permitia a circulação transnacional dos recursos.
De acordo com o Gaeco, os investigadores se surpreenderam com a existência de transações de Yago de Araújo Silva em favor de GAS Consultoria, empresa de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, denunciado e preso por lavagem de dinheiro em operações passadas.
Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas por organização criminosa, estelionato qualificado por fraude eletrônica, falsificação documental e lavagem de capitais. Para o Gaeco, o caso não se trata de um golpe isolado, mas de uma estrutura hierarquizada e permanente, com ramificações no Rio e no Maranhão.
– Quem é quem no esquema
Yago de Araújo Silva (atualmente Yago de Araújo Nogarolli)
Apontado como chefe do grupo. Segundo o MP, idealizou a exploração da falha no sistema de pagamentos, coordenou a abertura de contas com documentos falsos e estruturou empresas de fachada usadas na lavagem de dinheiro.
Saulo Zanibone de Paiva
Descrito como braço operacional do esquema. Teria atuado diretamente na execução das fraudes eletrônicas e na movimentação dos recursos ilícitos.
Celis de Castro Medeiros Junior
Descrito como intermediário financeiro entre o núcleo do Maranhão e o do Rio, responsável por repassar recursos entre empresas e pessoas físicas.
Alex Maylon Passinho Dominici
Indicado como responsável pela injeção inicial de recursos na cadeia de lavagem e pela criação de empresas usadas na fase inicial de ocultação dos valores.


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