24
set
2025

MPC encontra servidor fantasma nomeado em Raposa e, simultaneamente, mais quatro prefeituras do MA

Pelo Jornalista Domingos Costa

Ministério Público de Contas encontrou servidor público nomeado em cinco prefeituras do Maranhão: Marajá do Sena, Lajeado Novo, Alto Alegre do MA, São João do Paraíso e Raposa. Somadas, as jornadas de trabalho ultrapassam 250 horas semanais.

Claudson Dienio Carvalho da Cruz recebe na prefeitura de Raposa o salário de mais de R$2 mil reais/mês.

O Ministério Público de Contas do Maranhão (MPC) identificou mais um caso de acúmulo de cargos em prefeituras do estado. O servidor Claudson Dienio Carvalho da Cruz foi apontado como detentor de cinco vínculos simultâneos em diferentes municípios maranhenses, situação que levanta suspeitas de irregularidade e inviabilidade prática no cumprimento de suas funções.

Segundo documentos obtidos pelo site Folha do Maranhão, o servidor aparece registrado em cargos nas prefeituras de Marajá do Sena, Lajeado Novo, Alto Alegre do Maranhão, São João do Paraíso e Raposa. Somadas, as jornadas de trabalho ultrapassam 250 horas semanais, número superior às 168 horas existentes em uma semana. Além disso, há o agravante da distância geográfica entre os municípios, o que torna materialmente impossível a execução regular de todas as atribuições. Em um dos exemplos citados, Claudson acumula cargos em Raposa e São João do Paraíso, cidades separadas por mais de 700 quilômetros.

– Nomeado em novembro de 2023 em Raposa 

Em Raposa, prefeitura sob a gestão do prefeito Eudes Barros, do PL, o servidor Claudson Dienio foi nomeado deste novembro de 2023. E ao que tudo indica, trata-se de um “funcionário fantasma”, aquele servidor que recebe salário mensalmente, mas nunca compareceu ao local de trabalho para exercer a função pública comissionada a qual foi nomeada pelo prefeito.

– Salários juntos ultrapassam os R$ 15 mil

O levantamento também mostra que os vínculos não se restringem a cargos técnicos ou comissionados de baixa carga, mas incluem funções de assessoramento e técnico educacional, com salários que, juntos, ultrapassam os R$ 15 mil. Para o Ministério Público de Contas, essa prática caracteriza enriquecimento ilícito do servidor, uma vez que o pagamento não corresponde à prestação real de serviços.

Diante do caso, o MPC pediu a suspensão imediata dos pagamentos ao servidor, até que seja comprovada a presença efetiva do servidor em sua função. O órgão defende que a medida é necessária para evitar que o erário continue arcando com remunerações que não têm contrapartida em serviços prestados.

Este é o terceiro caso semelhante identificado recentemente pelo Ministério Público de Contas, o que aponta para um padrão preocupante de acúmulo ilegal de cargos públicos em diferentes municípios do Maranhão.

Recentemente, foi descoberto os servidores Reinaldo Castro Araújo e Gilson Pereira Costa, ambos foram identificados como servidores em sete prefeituras diferentes, com remunerações que ultrapassavam os R$ 13 mil e R$ 15 mil, respectivamente.

As apurações apontaram ainda que eles acumulavam funções em municípios separados por centenas de quilômetros e com cargas horárias que somavam mais de 150 horas semanais, o que reforça a suspeita de recebimento de salários sem a devida contraprestação.

A investigação segue em andamento para apurar responsabilidades e calcular o montante de recursos que podem ter sido indevidamente recebidos.

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