jun
2026
Investigação aponta para movimentações financeiras suspeitas, desvio de recursos públicos e pagamento de propina na gestão Kleber Tratorzão

Uma denúncia baseada em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) levou o Ministério Público do Maranhão a instaurar um Inquérito Civil para apurar irregularidades envolvendo recursos públicos do Município de São Domingos do Maranhão, sob a gestão Kleber Alves de Andrade, conhecido popularmente como “Tratorzão”.
A investigação tem como foco movimentações financeiras consideradas atípicas entre a prefeitura e a empresa Nascimento Barros e Vieira Empreendimentos Ltda., além da suspeita de repasses indevidos a agentes públicos.
Segundo a portaria publicada pelo Ministério Público, as informações analisadas pelo Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro do GAECO apontam indícios de operações financeiras suspeitas que podem caracterizar desvio de recursos públicos, improbidade administrativa e até ilícitos penais.
De acordo com os documentos que embasam a investigação, a empresa Nascimento Barros e Vieira Empreendimentos Ltda. passou a ser alvo de apuração após a identificação de movimentações financeiras consideradas incompatíveis e possíveis transferências envolvendo recursos municipais.
O Ministério Público busca esclarecer a origem, a legalidade e a destinação dos valores movimentados, além de verificar se houve favorecimento indevido ou benefícios concedidos a pessoas ligadas à administração pública municipal.
Como parte das diligências, o MP requisitou à Prefeitura de São Domingos do Maranhão cópias integrais dos contratos firmados com a empresa investigada, incluindo os contratos nº 99/2025, 100/2025, 101/2025 e 102/2025, além do Pregão Eletrônico SRP nº 015/2025 e toda a documentação relacionada aos pagamentos realizados.
Também foram solicitados comprovantes de empenho, liquidação, ordens bancárias e documentos que possam comprovar a execução dos serviços contratados.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores envolve possíveis pagamentos realizados com recursos do Fundeb. O Ministério Público requisitou ao Banco do Brasil extratos detalhados da conta do fundo educacional utilizada pelo município, buscando identificar os beneficiários das transferências efetuadas entre dezembro de 2025 e 2026.
A Secretaria Municipal de Educação também deverá apresentar notas fiscais, empenhos, ordens bancárias e documentos que justifiquem pagamentos feitos à empresa investigada com verbas destinadas à educação.
A investigação ainda pretende verificar se pessoas citadas nos relatórios financeiros possuíam ou possuíram vínculos com a administração municipal entre 2019 e 2025. O objetivo é identificar eventuais relações funcionais que possam indicar favorecimento ou participação em possíveis irregularidades.
Diante da complexidade do caso e da existência de dados bancários e fiscais protegidos por lei, o procedimento tramita sob sigilo. O Ministério Público informou que a investigação continuará com a análise dos documentos requisitados antes da adoção de eventuais medidas judiciais ou extrajudiciais.
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