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2022
O Globo faz raio x da disputa no Maranhão, “com apoio de Lula, atual governador é favorito”
Carlos Brandão (PSB) tem aliança de 11 partidos, do PSDB ao PT, incluindo o MDB do ex-adversário clã Sarney, e se vende como continuidade; entre os concorrentes estão Weverton Rocha (PDT) e Lahesio Bonfim (PSC), único bolsonarista declarado.
O GLOBO – Apoiado pelo ex-governador Flávio Dino (PSB) e pelo ex-presidente Lula (PT), o atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), desponta como favorito à reeleição no estado. Com cerca de 40% das intenções de voto, ele busca atrelar sua imagem à dos padrinhos políticos na eleição para consolidar sua liderança na disputa. A tendência, de acordo com analistas políticos, é de que as alianças contem, nesta eleição estadual, mais do que as propostas.
Brandão foi vice de Dino por sete anos e meio e agora tem o apoio até do MDB controlado pelo clã Sarney, histórico adversário do ex-governador maranhense e que hoje dá suporte à sua candidatura ao Senado. Na campanha, Brandão tem apresentado seu governo como a continuidade do projeto de Flávio Dino, que renunciou ao cargo em março para disputar o Senado em meio a uma taxa de aprovação que beirava os 60%.
Dois dos três principais adversários de Brandão, aliás, foram aliados de Dino. Weverton Rocha (PDT), que se elegeu ao Senado com o apoio do ex-governador em 2018, saiu do grupo político de Dino ao ser preterido na escolha de seu sucessor. Edivaldo Holanda (PSD), ex-prefeito de São Luís (2013-2020), também rompeu com o grupo político do ex-governador após ter tido seu apoio nas eleições de 2012 e 2016.
Ex-tucano, Brandão tem como seu principal desafio tornar-se mais conhecido do eleitor maranhense e tem a seu favor uma aliança de 11 partidos, do PSDB ao PT, passando pelo MDB da família Sarney.
A ampla coligação de Brandão lhe garantirá o maior tempo de TV no horário eleitoral gratuito, o que o entorno de sua campanha classifica como crucial para consolidar seu favoritismo. Os levantamentos internos do governador indicam que a maioria dos maranhenses se informa pela televisão.
Nas pesquisas locais, o atual governador tem o dobro da intenção de voto do senador Weverton Rocha (PDT), que tem o segundo maior tempo de TV, e do médico conservador Lahesio Bonfim (PSC), o único bolsonarista declarado entre os principais candidatos. Ambos aparecem com algo entre 15% e 20% nas sondagens. Edivaldo Holanda (PSD) aparece em seguida, com entre 5% e 10% das intenções de voto.
— O Maranhão sempre foi marcado por uma polarização entre a família Sarney e seus opositores. Dino foi eleito e reeleito em oposição ao que chamava de oligarquia dos Sarney, com apoio de um grupo político muito heterogêneo que hoje está rachado, ao passo que os Sarney perderam protagonismo e hoje apoiam Brandão. A eleição aqui terá pouca discussão de programa, importará mais o conjunto de alianças — diz Wagner Cabral, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
– Histórico de votações
Na visão do analista, deve pesar a favor de Brandão, também, o apoio de Lula, já que o Maranhão costuma votar massivamente em candidatos do PT. Em 2018, o petista Fernando Haddad teve 61,26% dos votos válidos no estado contra 24,28% de Jair Bolsonaro.
— A composição do MDB (de Sarney) com Brandão e Dino obedece em parte a alinhamentos nacionais. Houve um empenho grande de setores do MDB maranhense de se aproximar de Lula, por exemplo. Lula, Dilma (Rousseff) e Haddad sempre tiveram vitória confortável no Maranhão e os políticos locais querem se beneficiar dessa popularidade — afirma a cientista política Arleth Borges, da UFMA.
Na disputa com Brandão, o senador Weverton Rocha tem feito acenos tanto à direita quanto à esquerda e evitado criticar diretamente Flávio Dino. O eixo de seu programa de governo é a geração de empregos e suas principais promessas são resgatar um programa criado por Roseana Sarney voltado a inserir jovens no mercado de trabalho e outro direcionado a mulheres acima dos 40 anos.
Filiado ao partido de Ciro Gomes, o parlamentar já fez questão de dizer em entrevistas que é “muito próximo” de Lula e deu a entender que apoiaria o petista na eleição presidencial. À direita, Weverton obteve o apoio do PL, partido de Bolsonaro, que indicou o vice de sua chapa, Helio Soares. Em outro aceno ao bolsonarismo, apoia ainda a reeleição do senador Roberto Rocha (PTB), próximo do presidente da República.
— Brandão foi hábil ao conseguir atrair para si na pré-campanha importantes apoiadores de Weverton, como o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), tido como principal aliado de Weverton desde 2020, e da senadora Eliziane Gama (Cidadania) — diz o professor Wagner Cabral.
Entre os aliados que permaneceram com Weverton Rocha está o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (sem partido).
– O mais conservador
Ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, município de 4,6 mil habitantes no interior do Maranhão, Lahesio Bonfim (PSC) é o nome mais conservador na disputa e é o único candidato declaradamente bolsonarista entre os mais bem posicionados.

Embora estejam em campos opostos hoje, Rocha e Dino já foram aliados. Roberto Rocha, então no PSB, foi eleito vice de Edivaldo Holanda (então no PTC) em 2012 na prefeitura de São Luís com o apoio de Flávio Dino (então no PCdoB). Em 2014, Rocha se elegeu senador na mesma coligação de Dino. Ambos romperam ainda no primeiro mandato de governador do então comunista.
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