21
maio
2026

Rubens Pereira, o Rubão, é alvo da Polícia Federal na Operação Arthros

Pelo Jornalista Domingos Costa

Ex-deputado estadual Rubens Pereira é pai do deputado federal Rubens Júnior.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (21), a operação Arthros para investigar um esquema de desvio de recursos públicos usados no financiamento ilegal de campanhas nas eleições municipais de 2024, no Maranhão. Entre os alvos está o ex-deputado estadual Rubens Pereira, pai do deputado federal Rubens Júnior (PT).

Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), a Polícia Federal cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em São Luís, Paço do Lumiar, Barreirinhas, Codó e Matões, no Maranhão, e também em Teresina, no Piauí.

A Justiça também autorizou a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados, o afastamento de quatro servidores públicos e o bloqueio de bens no valor de R$ 2 milhões.

Em nota, Rubens Pereira informou que foi surpreendido pela ação e afirmou que a investigação trata de supostas irregularidades eleitorais nas eleições de 2024, período em que ocupava o cargo de secretário de Articulação Política do governo do Maranhão. Ele afirma que tem consciência de que nunca se envolveu em nenhuma irregularidade.

– Como funcionava o esquema

As investigações apontaram um esquema que usava empresas de fachada, contratos falsos e notas fiscais frias para esconder a origem de recursos públicos. O dinheiro era direcionado a campanhas eleitorais.

Segundo a PF, o grupo também utilizava contas bancárias de terceiros, além de saques em dinheiro e transferências fracionadas, estratégia comum para dificultar o rastreamento e caracterizar lavagem de dinheiro.

A apuração indica que, nos 15 dias antes das eleições de 2024, mais de R$ 1,9 milhão foram movimentados. Desse total, mais de R$ 1,2 milhão teriam sido repassados a candidatos e intermediários. Há indícios de que parte desses valores venha de contratos públicos desviados para uso em campanhas.

As evidências indicam que os investigados atuavam de forma coordenada. Eles seriam responsáveis por definir valores, escolher beneficiários e organizar os repasses. Segundo a investigação, o grupo funcionava como uma espécie de “gabinete paralelo” de financiamento ilegal de campanhas.

Até o momento, foram identificados vários candidatos beneficiados pelo esquema, em diversos municípios do estado. Os repasses eram feitos de forma fragmentada, inclusive por meio de terceiros, o que indica tentativa de esconder o destino final do dinheiro.

As medidas buscam ampliar a coleta de provas, identificar o alcance do esquema, recuperar recursos desviados e impedir a continuidade das irregularidades.

Os investigados podem responder por crimes como caixa dois, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, organização criminosa e desvio de recursos públicos, além de outras infrações relacionadas.

– O que diz Rubens Pereira

“Na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, recebi agentes da Polícia Federal na minha residência para o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em investigações relacionadas a supostas irregularidades eleitorais que teriam ocorrido no mesmo período em que fui secretário de Estado de Articulação Politica do Governo Brandão.

Em mais de 40 anos de atividade pública, nunca tinha sido alvo de operações como essa, muito menos sobre fatos relacionados a eleições em que nem eu e nem ninguém da minha família fomos candidatos.

Ainda não tenho informações sobre os fatos motivadores, mas tenho plena confiança na apuração policial e a consciência tranquila de que não me envolvi em nenhum ilícito. Já me coloquei à disposição das autoridades para contribuir com as investigações. Ao passo que tiver novas informações, comunico à todos.

Rubens Pereira

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