out
2026
Vereadores de Buriticupu recebem R$ 8,8 mil em diárias sob suspeita; investigação aponta divergências em valores e documentos

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) aprofundou a investigação sobre o pagamento de R$ 8,8 mil em diárias a sete vereadores e um servidor comissionado da Câmara Municipal de Buriticupu para uma viagem a São Luís, em junho de 2026. A apuração busca esclarecer se os recursos públicos foram utilizados para finalidade institucional e se os pagamentos respeitaram a legislação municipal.
A investigação envolve a presidente da Câmara, Vanusa Ibiapino Sousa Fernandes, outros seis vereadores e o chefe de gabinete Talles Antônio Santos Ferreira. O caso teve origem em uma representação apresentada por Luiz III da Silva e está sob responsabilidade da 1ª Promotoria de Justiça de Buriticupu.
Um dos principais pontos questionados pelo promotor de Justiça Felipe Augusto Rotondo é a diferença entre os valores pagos e os previstos na Lei Municipal nº 377/2017. Conforme a tabela citada na decisão, a diária integral de vereador era de R$ 350, enquanto a de servidor comissionado era de R$ 250.
No entanto, os vereadores receberam R$ 600 por diária e o servidor, R$ 400. Considerando as 14 diárias dos parlamentares e uma do servidor, a diferença nominal chega a R$ 3.650, caso não exista outra norma válida que tenha atualizado os valores. O Ministério Público cobra a apresentação do fundamento legal que autorizou os pagamentos.
A Promotoria também identificou divergências entre as datas registradas nos documentos da viagem e as informações sobre uma suposta reunião institucional na Secretaria de Estado de Articulação Política (SECAP). Embora a Câmara e os beneficiários tenham afirmado que a viagem tinha como objetivo tratar de demandas institucionais, documentos de solicitação e concessão das diárias, datados de 17 de junho, já indicavam permanência até o dia 19.
O órgão quer esclarecer a sequência dos acontecimentos e verificar quando os documentos foram efetivamente elaborados e assinados. Outro ponto sob análise são os arquivos enviados pela SECAP para comprovar a agenda do secretário e a pauta da reunião.
Os metadados indicaram que o arquivo da agenda foi gerado em 9 de setembro de 2026, e o documento com a pauta, em 10 de setembro, embora se refiram a fatos supostamente ocorridos em junho. As datas, isoladamente, não comprovam falsificação, mas levaram o Ministério Público a solicitar os documentos originais e registros que permitam verificar quando foram elaborados.
A finalidade da viagem também é questionada. A justificativa publicada no Portal da Transparência da Câmara mencionava um encontro com Larissa DP e parlamentares no Palácio dos Leões. Entretanto, os relatos divergem: enquanto parte dos beneficiários descreveu o encontro como uma visita de cortesia ao escritório da então pré-candidata, Larissa da Silva Torres da Costa afirmou que o encontro ocorreu casualmente em um restaurante de São Luís, sem agendamento prévio.
A Promotoria busca comprovar a realização e o conteúdo das reuniões institucionais alegadas, incluindo demandas relacionadas à BR-222, a poços artesianos e à possível destinação de um veículo à Câmara.
A decisão da 1ª Promotoria de Justiça de Buriticupu foi publicada no Diário Eletrônico do Ministério Público do Maranhão em 19 de outubro de 2026.

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