fev
2022
VÍDEO: Operador de jogos de azar conta em depoimento detalhes sobre a entrega de propina na SEIC e revela nomes dos delegados
EXCLUSIVO: Jorge Luiz, pessoa de confiança do contraventor de jogos de azar Lismar Nunes Mendes, vulgo “Pireco”, conta como foi a entrega das propinas na sede da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC).
O Blog do Domingos Costa teve acesso com EXCLUSIVIDADE ao depoimento [em vídeo] de uma testemunha do primeiro Inquérito que apurou envolvimento de agentes públicos e contraventores em diversas práticas ilícitas atreladas à exploração ilegal de jogos de azar em diversos bairros de São Luís.
Comandada pela Superintendência Estadual de Combate à Corrupção (Seccor), a investigação ouviu Jorge Luiz Almeida Alves Júnior – que aparece no vídeo acima. Considerado um “operador” da organização criminosa, ele compareceu ao prédio da Corregedoria Ajunta da Polícia Civil onde prestou depoimento, registrado de forma audiovisual.
Jorge Luiz afirmou que trabalhava e era pessoa de confiança do contraventor de jogos de azar Lismar Nunes Mendes, vulgo “Pireco”; alegou ter presenciado e feito pagamentos de propina a agentes públicos.
A testemunha conta no depoimento que esteve em festas com presença de policiais civil e militares onde tinha consumo de bebidas e drogas. Ele também contou que fazia acertos semanais no valor de R$ 15 mil a dois delegados: Ney Anderson da Silva Gaspar e José Henrique Mesquita da Silva, por determinação de seu chefe, “Pireco”.
Durante o depoimento, Jorge disse que eram feitas operações da Polícia Civil de forma forjada [de mentirinha], com acertos para que a polícia fizesse batido em bingos sem causar grandes prejuízos. Ele contou que as máquinas eram retiradas antes das operações e deixadas no local apenas as velhas, consideradas sucatas.
Ele também disse que as propinas eram entregues sempre toda sexta-feira. Luiz assegurou que o pagamento do suborno era entregue aos delegados que faziam o rateio posterior aos demais envolvidos na organização.
Contou, ainda, que já fez pagamento ao delegado Mesquita no bairro do Maiobão em Paço do Lumiar e ao delegado Ney Anderson por meio de um policial de nome Manoel que trabalhava com Ney; esse suborno, segundo a testemunha, foi realizado na sede da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC), no bairro de Fátima em São Luís.
– PERGUNTAS E RESPOSTAS DO DEPOIMENTO
Baseado no vídeo acima, o Blog do DC destaca abaixo o que foi perguntado pelos delegados durante o depoimento de Jorge Luiz Almeida Alves Júnior e o respondido por ele. Vejamos:
Delegado Ricardo Luiz: “Esse pagamento de propina semanal era para os policiais é isso?”
Jorge Luiz: “Na verdade era entregue aos delegados, e eles, eu creio que fazia as repartições a quem era de direito”
Delegado Ricardo Luiz: “Além dos delegados tinham algum Policial Militar [que recebia a propina]?”
Jorge Luiz: “Não, não.”
Delegada Carolina Cardoso: “Quem entregava [se referindo a propina]”
Jorge Luiz: “Eu cheguei a fazer a entrega, cheguei a fazer a entrega para o Mesquita no Maiobão.”
Delegada Carolina Cardoso: “O senhor chegou a fazer a entrega onde, na Delegacia?”
Jorge Luiz: “Não, encontrava em algum lugar e dizia, ‘tá aqui doutor”
Delegado Ricardo Luiz: “Qual o valor que era pago, o senhor lembra?”
Jorge Luiz: “Era uma média de R$ 15 mil para cada por semana. Aí, cheguei até umas duas vezes na SEIC, tinha um rapaz que trabalhava com o Ney Andson, um banquinho, salve engano Manoel o nome dele. Entregue umas duas vezes lá na porta para ele.”
Delegado Ricardo Luiz: “Qual o nome do policial?”
Jorge Luiz: : “Manoel, entreguei para ele umas duas vezes.”
– CONCLUSÃO DA INVESTIGAÇÃO LIVROU DELEGADOS
Mesmo diante do depoimento contundente e com riqueza de detalhes da testemunha Jorge Luiz Almeida Alves Júnior, os delegados da Seccor que presidiram a investigação, concluíram que “apesar das medidas cautelares sigilosas, não houve elemento comprobatório sobre o envolvimento dos delegados de polícia Ney Anderson e José Mesquita aos contraventores citados, tampouco comprovada condutas ilícitas”.
Nesse caso, o Blog do DC apurou que o delegado Ney sequer foi ouvido no Inquérito. Já o delegado Mesquita aparece como uma das pessoas que visitaram Lismar Nunes Mendes, vulgo “Pireco” no hospital UDI São Luís, quando ele estava internado.
Ainda nesse primeiro Inquérito, a Seccor entendeu por não indiciar os delegados citados e deu o caso por encerrado.
No entanto, por consequência da investigação inicial, foi aberto um novo Inquérito [o segundo] a partir de denúncias anônimas, que segundo a Seccor, identificou um grupo organizado que estaria explorando jogos ilegais e para isso pagava valor e dinheiro a policiais militares e civil.
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Deu a impressão que houve um “corporativismo” tem q entrar o MPF aí