set
2026
Desembargador Newton Ramos votou em favor do banco Master em processo que a própria esposa atuou como advogada

Em uma petição na Reclamação Disciplinar nº 0007899-68.2026.2.00.0000 de autoria do advogado, Alex Ferreira Borralho, o maranhense traz um fato novo contra o Desembargador Federal Newton Pereira Ramos Neto, Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), onde revela que o togado votou em favor do banco Master em processo que a própria esposa, Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, atuou como advogada.
Alex Borralho cita as peças que compõem o Agravo de Instrumento de n° 1026345-83.2021.4.01.0000, em tramitação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRP1), no qual o desembargador Newton Pereira Ramos Neto, proferiu ao menos dois votos favoráveis aos interesses do Banco Master em um processo envolvendo a Usina Cansanção de Sinimbu, em Jequiá da Praia, Alagoas. Em recuperação judicial, a empresa busca definir o valor da indenização devida pela União por supostos prejuízos causados pela política de preços do setor sucroalcooleiro.
O Master, do banqueiro Dnaiel Vorcaro, que buscava adquirir direitos creditórios de usinas em recuperação judicial para, segundo a Polícia Federal, inflar artificialmente a liquidez do banco, atuou no processo em conjunto com a usina.
Seis meses depois dos votos proferidos por Newton, a mulher do desembargador, a advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, e o filho do magistrado, Gabriel Ribeiro Gonçalves Ramos, firmaram um contrato que pagaria até R$ 427 milhões com o banco de Daniel Vorcaro caso tivesse êxito em todas as ações judiciais, que totalizavam R$ 8,5 bilhões.
– Alvo de operação após a petição de Alex Borralho
Logo após o advogado Alex Ferreira Borralho, autor da Reclamação contra Newton Ramos peticionar um documento ao processo, o CNJ colocou o processo em sigilo máximo, e em seguida, na tarde desta quinta-feira (24) por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Polícia Federal (PF) realizou uma operação no gabinete do desembargador.
O magistrado tornou-se o pivô de conversas que indicam a influência que ele exercia junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques na interlocução com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A PF encontrou um contrato de advocacia de R$ 427 milhões com a chamada “Turma do KN”. O valor seria pago em caso de êxito em ações de interesse de Daniel Vorcaro nos tribunais superiores, que poderiam destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios. Segundo as mensagens analisadas pela PF, a sigla “KN” faria referência ao ministro Kassio Nunes Marques.
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