06
jan
2026

Quatro entidades de São Luís são investigadas pelo Ministério Público por suspeitas de irregularidades na gestão

Pelo Jornalista Domingos Costa

Promotora de Justiça Doracy Moreira Reis Santos abriu investigação contra a Associação Comunitária Itaqui Bacanga (ACIB), Associação Comunitária dos Moradores da Cohama (ACMC), Conselho Cultural e Comunitário do Bairro da Liberdade e União de Moradores do Bom Jesus do Coroadinho.

Uma das entidades investigadas é o Conselho Cultural e Comunitário do Bairro da Liberdade.

Uma das entidades investigadas é o Conselho Cultural e Comunitário do Bairro da Liberdade.

O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) instaurou diversos Procedimentos Administrativos stricto sensu para apurar denúncias de possíveis irregularidades na gestão de associações comunitárias e entidades de interesse social que atuam em diferentes bairros da capital maranhense. As medidas atingem organizações representativas de comunidades tradicionais e bairros populosos de São Luís.

As investigações estão sendo conduzidas pela promotora de Justiça Doracy Moreira Reis Santos, titular da 1ª Promotoria de Justiça Especializada em Fundações e Entidades de Interesse Social da Comarca da Ilha de São Luís, e foram formalizadas por meio de portarias publicadas entre os dias 11 e 23 de dezembro de 2025.

Conforme os atos oficiais do MPMA, as apurações envolvem as seguintes entidades comunitárias: Associação Comunitária Itaqui Bacanga (ACIB) – Notícia de Fato nº 71/2025; Associação Comunitária dos Moradores da Cohama (ACMC) – Notícia de Fato nº 66/2025; Conselho Cultural e Comunitário do Bairro da Liberdade – Notícia de Fato nº 91/2025; União de Moradores do Bom Jesus do Coroadinho – Notícia de Fato nº 103/2025.

Todas as denúncias iniciais foram formalizadas como Notícias de Fato, instrumento utilizado pelo Ministério Público para averiguação preliminar. Contudo, diante da complexidade dos fatos narrados e da necessidade de análise mais aprofundada, os procedimentos foram convertidos em Procedimentos Administrativos stricto sensu.

De acordo com o Ministério Público, o prazo legal de tramitação das Notícias de Fato — que pode chegar a até 120 dias — encontrava-se em vias de se encerrar, sem que fosse possível realizar uma análise conclusiva do mérito das denúncias apresentadas contra as atuais gestões das entidades.
A promotora responsável destacou que o Procedimento Administrativo stricto sensu é o instrumento adequado para acompanhar, fiscalizar e levantar informações de forma continuada, conforme previsto no Ato Regulamentar Conjunto nº 05/2014 – GPGJ/CGMP, que rege a atuação administrativa do Ministério Público.

Com a instauração dos procedimentos, o MPMA poderá: requisitar documentos contábeis, administrativos e estatutários; solicitar esclarecimentos dos dirigentes das entidades; fiscalizar a aplicação de recursos e o funcionamento institucional; acompanhar eleições internas e atos de gestão; adotar medidas preventivas para evitar danos ao interesse coletivo; subsidiar eventual instauração de inquérito civil ou outras medidas judiciais, caso sejam constatadas irregularidades.

Segundo o Ministério Público, o foco é garantir transparência, legalidade e regularidade na atuação das associações, que exercem papel relevante na representação comunitária e, em alguns casos, mantêm relação com políticas públicas e recursos de origem pública.

Nas portarias, a promotora Doracy Moreira Reis Santos ressalta que o Ministério Público é uma instituição essencial à função jurisdicional do Estado, conforme estabelece o artigo 127 da Constituição Federal, cabendo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

O MP também enfatiza que a Constituição atribui à instituição a defesa dos interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, especialmente quando envolvem entidades que atuam em nome da coletividade.

Os Procedimentos Administrativos foram regularmente autuados no Sistema Integrado do Ministério Público (SIMP) e tiveram determinação de publicação na Imprensa Oficial. O servidor Hugo Rafael Pereira Lima, assessor de Promotoria de Justiça, foi designado para secretariar os trabalhos em todas as apurações.

O Ministério Público reforça que a instauração dos procedimentos não representa julgamento antecipado, mas o exercício do dever legal de apurar denúncias e assegurar a correta gestão das entidades comunitárias.

As investigações seguem em andamento, e novos desdobramentos poderão ocorrer conforme o avanço das diligências.

1 Comentário

  1. antonio carlos disse:

    Sim! concordo com essa ação, porque eles usam dinheiro público, e fazem o que o sonho deseja, com certeza vão encontrar fatos que precisam ser alinhados as garantia de quem e onde vai os recursos……pão com agua todos os dias não é correto..ok!

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