abr
2026
R$ 2,8 BILHOES: Diretor do BRB que assinou contrato com o Desembargador Froz Sobrinho é demitido

Desembargador Froz Sobrinho e Diogo Ilário de Araújo Oliveira assinaram contrato que transferiu R$ 2,8 bilhões em depósitos judiciais do Maranhão, do Banco do Brasil ao BRB.
Diogo Ilário de Araújo Oliveira (foto) foi demitido esta semana do cargo de Diretor Executivo de Atacado e Governo do Banco de Brasília – BRB, pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).
Ele é um dos gestores ligados a ex-presidente BRB, Paulo Henrique Costa, preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (16) em nova fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela Polícia Federal (PF). Ilário integrava antiga gestão, investigada pelos negócios com o Banco Master que deram prejuízo bilionário ao BRB.
Foi exatamente o Diretor Executivo de de Atacado e Governo do BRB, agora demitido, que assinou o contrato conjuntamente com o Desembargador José de Ribamar Froz Sobrinho, presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), que retirou do Banco do Brasil uma carteira de R$ 2,8 bilhões relativo a depósitos judiciais, administrativos e fianças, bem como dos recursos destinados ao pagamento de precatórios e requisições de pequeno valor – RPV e entrou ao Banco de Brasília (BRB).
No contrato nº 85/2025, Diogo Ilário de Araújo Oliveira assina como “Representante legal do Banco de Brasília – BRB”, seguido da assinatura do Desembargador Froz. A assinatura de Diogo Ilário é datada de 21 de julho de 2025, e a assinatura do Desembargador Froz é do dia 20 de agosto de 2025.
– Decisão gravíssima
No dia 28 de janeiro de 2025, durante a sessão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), o Desembargador Paulo Sérgio Velten Pereira (ex-presidente do TJ-MA), interrompeu o presidente José de Ribamar Froz Sobrinho, que presidia a sessão, para fazer sérias acusações contra o colega togado.
De acordo com Velten, a decisão de Froz em trocar o Banco do Brasil (BB) pelo Banco de Brasília (BRB), na gestão dos depósitos judiciais do Tribunal em uma carteira que totaliza R$ 2,8 bilhões, “é decisão gravíssima”.
– Investigação do CNJ
No dia 20 de fevereiro, o ministro Mauro Campbell, corregedor Nacional de Justiça, intimou cinco tribunais de Justiça, entre eles o do Maranhão, a explicarem, em até 15 dias, depósitos que podem chegar a R$ 30 bilhões ao BRB (Banco Regional de Brasília), investigado no inquérito que apura fraudes financeiras do Banco Master.
Campbell determinou que os tribunais do Distrito Federal, do Maranhão, da Bahia, da Paraíba e de Alagoas “prestem as informações que entenderem pertinentes”. A ordem atende a um pedido de providências formulado pelo advogado maranhense Alex Ferreira Borralho, que apontou “a ocorrência de movimentações atípicas relacionadas à gestão dos depósitos judiciais mantidos junto ao BRB”.
– Demissão de Diogo Ilário de Araújo Oliveira
O Banco de Brasília (BRB) informou, em Fato Relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que o Conselho de Administração destituiu de seus cargos os diretores executivos de Atacado e Governo, Diogo Ilário de Araújo Oliveira, e o de Tecnologia, José Maria Corrêa Dias Júnior.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pediu ao presidente do BRB, Nelson de Souza, o afastamento de todos os executivos envolvidos no caso Master. Uma auditoria forense foi contratada pela atual gestão do BRB para avaliar prejuízos e responsabilidades no caso Master.
“A decisão não antecipa qualquer julgamento e respeita o direito ao contraditório, mas assegura que as investigações ocorram com independência e responsabilidade. O compromisso do governo do Distrito Federal é com a verdade dos fatos, a proteção das instituições e a confiança da população”, disse ela em nota.
Também esta semana, o BRB comunicou a conclusão da auditoria e o encaminhamento do relatório final para a Polícia Federal. O documento, também já foi entregue ao Banco Central.
O banco do Distrito Federal deveria ter divulgado o balanço de 2025 até 31 de março, mas desrespeitou o prazo legal. Sem as demonstrações financeiras, o tamanho do rombo deixado pelo caso Master no BRB continua incerto.
– CLIQUE AQUI E CONFIRA A ÍNTEGRA DO CONTRATO ENTRE O BRB E O TJ-MA –

Trecho da assinatura do Desembargador Froz Sobrinho e Diogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor do BRB.
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